O Salto

O que é que estou aqui a fazer? Devia estar maluca quando pensei que era capaz de saltar daqui de cima: logo eu. Logo eu que acho que o mundo é perigoso e que tenho medo de tudo. Mas o que é verdade é que passei o ano a atravessar “pontes” – porque não atravessar mais esta? Respira fundo, Ana Paula: bora lá! Pensa: não te pode acontecer nada de mal, a água está já ali em baixo, é um “tirinho”.  Isso: respira devagar. Concentra-te. Só tens a ganhar se saltares: sabes isso. Precisas disto. É nisso que tens de te focar: o objectivo que te trouxe até aqui – ganhar confiança, aumentar a auto-estima. Respira devagar, estás aqui e agora: é agora! Não, ainda não… Mas por que é que, nestas alturas, nada do que aprendi para relaxar, resulta?  Eu bem digo que tanto conhecimento, às vezes, só atrapalha… Vamos lá, outra vez: só tens de tentar não pensar em nada: só mesmo em saltar e mergulhar. Pensa só no significado desse salto e desse mergulho. É só isso… Ok. Uns alongamentos: roda o pescoço… os braços… torce para a direita, para a esquerda. Respira… 1. Respira… 2. Respira… 3! Saaaaaalta!!! Yupiiiii!

Já está! Vês? Não custou assim tanto. E a sensação é  fantástica: libertadora! Estou orgulhosa de mim! Agora, a ver se levo mais esta âncora para a vida: mais uma para a colecção. De bloqueio em bloqueio até à vitória final! É só lembrar de utilizar o mesmo método: foco na presença, atenção plena e os fantasmas desaparecem. Será que vai resultar sempre?

Pronto: cá está a minha mente a tentar sabotar! Claro que vai. Então, e se fosse lá acima, outra vez, e voltasse a saltar? Não: agora  vou ficar aqui um bocadinho a curtir o sol. É mesmo só isso ou estarei a resistir? Não sei… neste momento não me apetece sequer pensar em nada. Isto de saltar, mergulhar, ultrapassar, atravessar, deixa-me exausta! Deixa-me exausta porque ainda faço tudo com muito esforço: tenho de deixar fluir. Tenho de confiar mais no Universo. Aceitar o que há, de coração aberto. Isto é muito bonito de dizer, mas para pôr em prática é que é pior. Pois… Ainda tenho muito chão para caminhar até conseguir levar isto com mais calma! E blá blá blá: a minha mente não sossega um bocadinho.

Vamos lá experimentar outra vez a respiração consciente: inspira… expira… 1; inspira… expira… 2; inspira… expira… 3… Boa! Já se fez silêncio. Adoro esta tranquilidade dentro de mim. Sinto um vazio que é, ao mesmo tempo, uma imensidão de paz. Quero ficar aqui para sempre! Eu sei que não posso: a vida não é isto. Mas já é muito bom saber que posso vir aqui quando quiser. Foi das descobertas mais maravilhosas que fiz este ano. Bem, o sol está a ir embora e, se calhar, também já vão sendo horas de ir para casa. Estou cheia de mim, sinto-me capaz de tudo! Parece que renasci. Estou quase a levitar.

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